Os quatro oficiais da Polícia Militar de Mogi das Cruzes acusados de atirar e desaparecer com o corpo do jovem Alan Patrick, de 17 anos, após perseguição de Mogi das Cruzes até Suzano, serão ouvidos na próxima quarta-feira em São Paulo. Os depoimentos dos policiais devem ser prestados no período da manhã. Todos eles seguem detidos temporariamente desde o dia 15 no presídio militar Romão Gomes, na capital. As informações foram repassadas pelo comandante do 32º Batalhão de Polícia Militar Metropolitano (BPM/M) de Suzano, tenente-coronel Aparecido Pavanelli.

De acordo com o comandante, os oficiais (sargentos Takano e Carlucci, cabo Silveira e soldado Carvalho) não serão soltos “em hipótese alguma”. “Eles não serão colocados em liberdade diante do que aconteceu. No entanto, é preciso respeitar um processo”, disse, referindo-se às etapas de investigação. “E isso precisa ser feito”, reforçou.

Pavanelli também respondeu quanto às solicitações da população e de familiares do jovem desaparecido que “vêm pedindo por justiça”. “Ela já está sendo feita. Primeiro, eles estão presos sob a guarda da Justiça, não administrativamente”. Ainda conforme ressaltado pelo tenente-coronel, por mais que a prisão dos quatro oficiais suspeitos tenha sido decretada por 30 dias pelo juiz corregedor do Tribunal de Justiça Militar (TJM), Luiz Adalberto Moura Cavalcante, ela poderá ser prorrogada por igual período.

“E, ainda assim, quando esse período terminar, será apresentado um pedido de prisão preventiva. Eles continuarão presos aguardando julgamento”, disse.

Caso
O jovem Alan Patrick desapareceu após perseguição dos PMs há duas semanas. O adolescente roubou uma moto em Mogi acompanhado do amigo Bruno Henrique da Silva Santos, de 19 anos. Na fuga, a dupla teria sido perseguida até a Estrada do Areião, no Jardim Maitê, em Suzano. A viatura da PM utilizada pelos oficiais na ocasião é da Força Tática do 17º BPM.

Segundo relatos de testemunhas, os policias teriam arrastado Alan Patrick pela via. A população também teria escutado disparos de arma. Depois foram encontrados cartuchos de munição ponto 40, o mesmo utilizado em armamentos da PM, além de vestígios de sangue.

Publicado por: Diário de Suzano
Em: 25/03/2011