Um levantamento realizado pela Fundação Casa (antiga Febem) com exclusividade para o DAT mostrou que o tráfico de drogas é o ato infracional que mais leva os adolescentes à instituição. As cidades do Alto Tietê estão na rota do tráfico, o que serve de escola do crime para vários jovens da região. Em seguida, vem o roubo qualificado, delito em que se emprega o uso da violência ou ameaça para intimidar as vítimas, índice preocupante porque mostra que, cada vez mais cedo, os adolescentes estão se especializando no crime.

No Alto Tietê, 38,8% dos jovens entre 12 e 18 anos foram detidos em 2010 por tráfico de drogas, número muito superior à média registrada na Capital, de 13%. A região também é responsável pela elevação do índice geral da Grande São Paulo, que chega a 38,2% do total de detenções. Já com relação ao roubo qualificado, quando há emprego de arma de fogo, violência ou ameaça e é realizado por duas ou mais pessoas, o número também é assustador: 38,6% dos casos. O ranking ainda considera as apreensões motivadas por roubos simples, furtos, porte de arma de fogo, latrocínio, homicídio doloso, entre outros.

Segundo o diretor da Fundação Casa de Arujá, Dorival Cardoso de Lima, o Alto Tietê está na rota do tráfico. “Pelos nossos levantamentos, a droga vem de Guarulhos, passa por Arujá, vem descendo pelas cidades da região e segue até o Rio de Janeiro, e vice-versa. A região está na rota do tráfico e pela falta de políticas públicas, nossos jovens são alvos fáceis do tráfico”, afirmou.

O segundo crime que mais deteve jovens em 2010 foi o roubo qualificado. De acordo com o levantamento da Fundação Casa, 38,6% dos jovens se envolveram em assaltos, na maioria das vezes, violentos. Mas o que leva adolescentes a praticar esses crimes? Para o psicólogo Dorival a vulnerabilidade social é, sem dúvida, um dos motivadores deste índice. “Os nossos adolescentes não são os maiores problemas, eles estão na ponta do iceberg. Os jovens são facilmente aliciados pelo tráfico porque faltam essas políticas públicas, oportunidade de trabalho. Também temos a questão familiar, que também deixa muito a desejar. Falta instrução básica, esses jovens não tem limites. Alguns não têm pai, ou são desconhecidos, e a família é totalmente desestruturada. Como lá fora eles também não têm os seus direitos garantidos, faltam oportunidades para eles, os jovens terminam sendo presas fáceis para o tráfico”.

O ranking mostra ainda outros tipos de delito, como roubo simples (5,8%), furto (2,8%), furto qualificado (1,5%), roubo tentado (1,5%), porte de arma de fogo (1,0%), entre outros.

Publicado por: Diário do Alto Tietê
Em: 27/03/2011
Por: Jamile Santana