Moradores do Conjunto Jefferson da Silva, no Distrito de César de Souza, temem o fechamento da Escola Estadual Padre Bernardo Murphy. O receio surgiu por conta da ausência de professores, o que tem obrigado a instituição a encaminhar os estudantes para suas casas antes do horário de saída. Brigas entre alunos e até entre o corpo docente e pais, além do número cada vez menor de estudantes, aumentam ainda mais a angústia vivida pelas famílias.

A unidade, inclusive, foi classificada, segundo os dados do Índice de Desenvolvimento da Educação de São Paulo 2010 (Idesp), como a sétima pior em todo o Estado.

“Este rumor tomou conta do bairro. Todos os pais de alunos estão comentando e realmente preocupados com o fechamento da escola. Afinal, se isso acontecer, não sei onde as crianças passarão a estudar. Elas terão que se deslocar, por meio de transporte coletivo, que já é precário aqui, para frequentar escolas extremamente longes. Não tem condições”, conta a dona de casa Wilma Aparecida da Silva, que tem dois netos na unidade de ensino.

Mãe de um aluno do 6º ano do Ensino Fundamental, a dona de casa Renata Cristina Cristovam Leite, 28 anos, conta que a escola tem enfrentado constantes brigas, que fortaleceram os rumores do fechamento da unidade. “Além das verdadeiras lutas entre alunos, professores e pessoas da própria diretoria têm discutido com alguns pais. O que se comenta é que ficou insustentável dar continuidade à escola. Apesar disso, a instituição nada confirma. Recentemente, houve reunião e não falaram nada sobre isso”, descreve.

Ela acrescenta ainda que algumas séries estão com número reduzido de alunos, principalmente no Ensino Médio. “Soube que no 3º colegial existem apenas três alunos. A escola não vai aguentar por muito tempo nestas condições, mas a tendência é de que o número seja cada vez menor, já que os professores não querem trabalhar ali e os que fazem parte do quadro faltam com frequência”, reforça.

Já a dona de casa Isabel Cristina da Silva, 27 anos, conta que raramente os filhos retornam para casa no horário certo de saída. “Tenho duas crianças na escola, sendo uma no 5º ano e outra no 6º ano do Ensino Fundamental. Elas estudam no período da tarde, das 13 horas às 18h20. Neste ano, porém, foram poucas as vezes em que saíram neste último horário. Como não tem professor, são liberadas até duas horas antes”, conta.

A informação também foi confirmada por uma aluna do local, de 11 anos, que preferiu não se identificar. “Há muitas matérias que não tem professor. Ou se tem, não apareceram neste ano. Então, quando não há ninguém para substituir, a escola nos libera mais cedo, o que acontece sempre. Quase todos os dias chego em casa antes das 16 horas”, conta ela, que cursa o 6º ano.

Os problemas relatados na unidade refletem uma verdadeira contradição no campo educacional do Bairro, quando comparado com a situação em que se encontra a Escola Municipal Professora Etelvina Cáfaro Salustiano. No ano passado, a instituição, que atende o Ensino Fundamental I (1ª a 4ª série), foi utilizada como referência pelo Ministério da Educação (MEC) por conta do atual modelo de ensino em tempo integral.

Uma professora mogiana, que já trabalhou na escola estadual do Conjunto Jefferson, conta que os problemas, de fato, acontecem na unidade, apesar de desconhecer a informação do fechamento do prédio. “O problema é que muitos educadores faltam com frequência. Até o ano passado, havia apenas um eventual para substituir todos os que faltavam. Então, diversas classes acabavam ficando sem aula. Quando isso acontecia no meio da grade curricular, os estudantes aguardavam no pátio ou na quadra até a próxima aula. Caso contrário, eles realmente são dispensados mais cedo”, relata.

De acordo com ela, a escola possui apenas uma sala para cada série. “Só os primeiros anos têm grande número de alunos. Em 2010, a oitava série (9º ano), contava apenas com 10 alunos. No Ensino Médio, a lista é ainda menor. Isso acontece porque estes estudantes, que já são mais velhos, conseguem se deslocar sozinhos mais facilmente e acabam procurando escolas melhores, como o Senai. Muitos também trabalham durante o dia e estudam no período noturno em instituições de outros bairros”, pontua.

Publicado por: O Diário de Mogi
Em: 06/04/2011
Por: Priscila Ribeiro