A dificuldade em atravessar as avenidas de Mogi das Cruzes é um dos principais transtornos enfrentados pelos deficientes visuais. A falta de semáforos sonoros é a principal reclamação daqueles que precisam do equipamento para garantir sua autonomia. Os cadeirantes também contam que alguns dos ônibus da cidade apresentam problemas nos elevadores.

André de Paula Bicudo Fernandes, de 28 anos, possui baixa visão e precisa utilizar o transporte público para se deslocar até São Paulo. Para ter acesso às linhas do trem ele precisa chegar ao Terminal Estudantes. Ele afirma que é nesse ponto que o problema começa. Fernandes precisa atravessar a rua Álvaro Pavan, no Mogilar. “Antes existia o sinal sonoro para o semáforo. Depois da reforma, tiraram”, contou.

As indicações gravadas no equipamento são feitas em braile para a leitura dos deficientes. No entanto, a inscrição não basta para auxiliar na travessia. “Cheguei a ficar 25 minutos esperando para atravessar e ninguém me ajudou. Não sabia se estava vindo carro”, disse Fernandes. Ele chegou a protocolar pedidos na Prefeitura para que semáforos sonoros fossem reparados perto dos dois terminais de ônibus (Central e Estudantes) e para a instalação de um outro aparelho na avenida Narciso Yague Guimarães, na altura do Mogi Shopping. O pedido foi feito no dia 9 de maio.

O piso podotátil colocado na parte externa do Terminal Estudantes é outra reclamação do deficiente. Ele alega que a estrutura se confunde com as lajotas tradicionais do calçamento. “Devia ser emborrachado como na parte de dentro. O pior é o Terminal Central não possuir esse tipo de piso na parte interna, o que dificulta nossa locomoção”, explicou.

O cadeirante Isaias Pinto da Silva conta que utiliza os elevadores dos ônibus com frequência e que já passou por alguns transtornos. “Às vezes, o elevador está quebrado ou o funcionário não sabe operar. Por isso, tenho que ficar esperando o próximo”.

Outro lado
Por meio da Assessoria de Imprensa, a Prefeitura de Mogi informou que, em relação aos semáforos, existe uma licitação aberta para compra das botoeiras com aviso sonoro. A previsão é de aproximadamente 60 dias para que os equipamentos sejam instalados nas proximidades dos dois terminais municipais e também em outros pontos da cidade apontados pela Associação dos Deficientes Visuais do Alto Tietê (ADVAT).

Sobre os elevadores dos ônibus, a Prefeitura informou que podem ocorrer falhas no funcionamento, mas as empresas devem providenciar o reparo imediato.

Em relação ao piso podotátil, a instalação segue as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), mas a Prefeitura pode estudar outras melhorias.

Publicado por: Mogi News
Em: 06/05/2011
Por: Luana Nogueira