As ações adotadas pelos profissionais da área da educação para evitar os casos de bullying, como o ocorrido na semana passada em César de Souza, devem ser aplicadas desde a mais tenra idade, de acordo com a Secretaria Municipal de Educação. A secretária da pasta, Maria Geny Borges Ávila Horle, afirmou que as medidas educativas devem ser aplicadas já nas turmas de educação infantil, como creches e pré-escolas, para que as crianças cresçam conscientes deste tipo de problema. “É preciso trabalhar valores, como o respeito ao próximo, a diversidade, ética e cidadania”, afirmou a secretária. “Os educadores devem desenvolver estes temas com as crianças desde a mais tenra idade para que se consiga reverter este processo”.

Para tanto, a secretaria desenvolve um trabalho em três frentes de atuação no município. Primeiramente, há o Departamento de Orientação e Promoção (DOP) da Coordenadoria de Atenção Integral à Criança, que conta com psicólogas e psicopedagogas que prestam atendimento e ministram palestras com temas como bullying e prevenção às drogas. Em seguida, a secretaria realiza um programa de desenvolvimento de valores, como respeito e amizade. Por fim, a pasta investe no relacionamento com a comunidade, a partir do que chamam de gestão democrática da escola, para que a comunidade participe e atue na unidade, além de acompanhar de perto o desenvolvimento dos alunos. “Também notamos que a Escola de Tempo Integral tem melhorado o relacionamento entre os alunos”, afirmou. “Como as crianças ficam o dia todo e participam de uma série de atividades esportivas, isso melhora o relacionamento entre elas e, em consequência, diminui o bullying”.

Para o professor Agostinho Salem Coelho, que trabalha há mais de 15 anos em um cursinho pré-vestibular, a imposição dos professores como educadores é errada. “Os pais parecem não ter mais tempo para cuidar de seus filhos e a educação deveria vir da família”, disse Coelho. Ele considera complicado acusar as instituições de ensino pelos casos de bullying e afirma que uma atitude mais drástica deveria ser tomada. “As escolas têm de chamar os pais das crianças envolvidas, tanto as agressoras quanto as vítimas, e discutir o assunto para se chegar a uma solução”. Na opinião do professor, caso os pais da criança agressora não compareçam, devem ser intimados judicialmente. “Só assim o bullying será levado a sério”, concluiu.

Publicado por: Mogi News
Em: 10/05/2011
Por: Guilherme Peace