Mais uma morte de recém-nascido foi registrada sob a responsabilidade da Secretaria de Saúde de Suzano. A família acusa o Pronto-Socorro Municipal (PS) de negligência e há uma forte possibilidade de a criança ter sido infectada com meningite na unidade, uma vez que no hemograma realizado no dia da internação (domingo) não há indicadores de infecção.

A recém-nascida Luana de Souza Silva faleceu no PS às 18h25 da última terça-feira, após 24 dias de seu nascimento. De acordo com a declaração de óbito, assinada pelo médico Tito Erwin Landivar, a criança faleceu de insuficiência respiratória e meningite. Segundo os pais, o médico que avisou a família sobre a morte teria afirmado que a meningite seria do tipo bacteriana.

Isto agrava ainda mais a situação da Secretaria Municipal de Saúde, que já registrou neste mês, pelo menos, sete casos de falecimentos de recém-nascidos na Santa Casa, da qual é responsável por meio da intervenção. No dia da internação, a equipe da unidade constatou no hemograma realizado às 8 horas que os leucócitos estavam dentro do padrão (9.200). Em caso de infecção, este indicador estaria acima do padrão, que é de 4.500 a 11.000 por milímetros cúbicos. Outro indicador do exame que minimiza a chance de Luana ter contraído doença antes da internação é o número de plaquetas no sangue: 831.000 – um dos sintomas da meningite é a formação de petéquias (pontos vermelhos na pele). Se a criança estivesse com essas manchas, o valor seria menor. Segundo sua mãe, a empregada doméstica Rosa Tarjino de Souza Silva, de 40 anos, Luana não teve nenhum sintoma da doença. “Ela não teve vômito, febre e nem as manchas”, comentou.

Rosa levou a filha ao PS porque percebeu que a criança estava “diferente”. “Ela ficava arregalando os olhos e esticando os braços”, disse. A mãe contou que o primeiro médico que examinou Luana teria dito que poderia ser meningite. No entanto, a criança não foi isolada para evitar contaminações. “Ela ficou em um berço comum mesmo com a possibilidade de ter uma doença contagiosa”, disse. Em nenhum momento Luana foi transferia para a UTI Neonatal da Santa Casa, mesmo com a confirmação de anemia no hemograma. Outro agravante é que na segunda-feira o médico de plantão afirmou aos pais que daria alta para a criança. “Ele disse para eu tentar dar de mamar para ela. Se ela mamasse, teria alta”, disse.

Somente na terça-feira foi realizado o exame de retirada do líquor da coluna. O DAT conferiu que a análise física do líquido constatou aspecto “purulento” (pus), sinal de infecção. O PS isolou Luana somente depois deste exame. Porém, ela não resistiu à doença.

Empecilhos

Funcionários do PS colocaram empecilhos para a entrega do prontuário a Rosa e a seu marido, o soldador Lindemberck Silva, 32, que retornaram ao local meia-hora depois de enterrarem a filha no Cemitério São João Batista, no Raffo.

A primeira informação era de que seria necessário o preenchimento de uma solicitação para a entrega dos exames. O prazo seria de sete dias úteis. A unidade só entregou os exames depois que familiares ameaçaram procurar a Polícia Civil para registrar um boletim de ocorrência.

Publicado por: Diário do Alto Tietê
Em: 26/05/2011
Por: Vivian Turcato