Quatro famílias procuradas pelo DAT responsabilizaram a Santa Casa de Suzano pelas mortes dos recém-nascidos registradas neste mês. Os depoimentos dos pais desmentem as informações declaradas pela Secretaria Municipal de Saúde e pela entidade. Ao contrário do que a chefe da pasta, Célia Bortoletto, disse na semana passada, que as mães “muito provavelmente” não teriam feito pré-natal, o DAT apurou que todas essas mães estavam sendo acompanhadas por médicos. Algumas famílias mudaram de ideia e ainda nesta semana devem procurar a Polícia Civil para registrar boletim de ocorrência.

A dona de casa Roseli Alves dos Santos, de 38 anos, credita o falecimento de sua filha ao fato de a Santa Casa ter decidido realizar o parto cesárea com apenas seis meses de gestação. Depois de dois meses de internação por causa de uma hemorragia (que até a hora do parto a equipe médica do hospital não conseguiu amenizar), ela deu à luz uma menina que nasceu com 680 gramas. “Comecei a ter as contrações às 7 horas da manhã. Só fui ser atendida às 14 horas. Eu falava que estava com a dor do parto e ninguém se importava”, disse. “Acho que o parto foi muito adiantado. Eu já estava internada há dois meses. O médico poderia ter ‘segurado’ a bebê mais um pouco”, argumentou.

Após o nascimento, a filha de Roseli foi encaminhada à Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal. Porém, às 17h30 do dia seguinte, a criança faleceu. De acordo com a declaração de óbito, a causa da morte foi prematuridade extrema, membrana hialiana (síndrome da angústia respiratória) e deslocamento prematuro de placenta. Este último item é outro ponto de discórdia para Roseli. Ela informou que tem todos os exames que fez durante o pré-natal e não há indicação de deslocamento de placenta. “Tem algo errado nessa história”, disse. Mesmo assim, a mãe decidiu não lavrar um boletim de ocorrência. “Já sofri bastante e nada trará minha filha de volta”, falou.

O caseiro Adriano Gonçalves de Araújo da Silva, 20, está totalmente revoltado com o parecer técnico divulgado pelos responsáveis da unidade. Ele desmentiu o fato de sua esposa, Camila Aparecida Pereira, 16, ter esperado 11 dias após o rompimento de sua bolsa (bolsa rota) para procurar atendimento médico. “A gente foi na Santa Casa três dias depois que a bolsa rompeu. Porque antes disso ela estava bem. Mas o médico que a analisou disse que era para voltar dias depois”, revelou. Eles seguiram a recomendação médica – que foi confirmada por outro profissional dois dias depois na mesma unidade – e o filho do casal faleceu nove dias depois do nascimento, por septicemia (infecção generalizada), prematuridade e infecção neonatal precoce. “O mais estranho é que o nenê estava ganhando peso. Ele nasceu com 1.500 kg e faleceu com 1.700 kg”, disse. Silva também procurará a polícia. “Eles não podem mentir dizendo que a culpa é da minha esposa. Ela fez sim pré-natal e não teve culpa de nada”, adiantou.

A acusação mais polêmica, no entanto, é da dona de casa Severina Maria da Silva, 39. Ela contou que no dia anterior ao falecimento de sua filha, uma mãe que também tinha um filho na Santa Casa revelou que a equipe de enfermagem teria esquecido de ligar a incubadora do bebê. “Na hora eu não dei muita atenção. Só que no dia seguinte minha filha morreu”, disse. Severina estava grávida de gêmeos. Um nenê já estava morto, porém, o médico que acompanhou seu pré-natal decidiu que não era necessário retirá-lo antes do nascimento do segundo feto. Nove dias depois do nascimento a criança faleceu.

Publicado por: Diário do Alto Tietê
Em: 25/05/2011
Por: Vivian Turcato