A dona de casa Glaucia Kelly, de 30 anos, denunciou que a equipe médica e de enfermagem da Santa Casa não seguiam as normas de higiene na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal. Ela, que teve que frequentar essa seção para visitar seu filho recém-nascido, Kawã, que nasceu depois de uma complicação no parto, contou que a maioria dos médicos e enfermeiras não solicitou a lavagem das mãos e o uso de aventais e toucas aos visitantes.

“Fiz questão de lavar as mãos porque sei do risco que isso poderia trazer para o meu filho. Só que não sei se outras pessoas tiveram o mesmo cuidado”, comentou. Essa declaração contraria o discurso da secretária municipal de Saúde, Célia Bortoletto, que negou a possibilidade de as mortes registradas na entidade terem sido causadas por causa de infecção hospitalar.

Glaucia também acusa a Santa Casa pela morte de seu filho. Ela chegou ao hospital com 38 semanas de gestação, que foram acompanhadas por consultas pré-natal. Grávida de gêmeos, o primeiro bebê, Kevin, nasceu de parto normal. O segundo teve que ser retirado através de uma cesárea. “Não acho que houve erro nessa hora. O problema aconteceu depois”, ressaltou. Isso porque as opiniões dos médicos não estavam em sintonia. Uma pediatra disse que Kawã teria sequelas porque durante o parto ficou algum tempo sem oxigênio. Porém, após o exame de um neurologista, a hipótese foi anulada. Kawã nasceu pesando 2.800 kg e faleceu com 12 dias de vida.

Outra crítica que a mãe fez ao hospital é que mesmo indo à Santa Casa duas horas depois da ligação que informou a morte do bebê, Kawã ainda estava entubado. “Eles não tiveram a mínima consideração com meu filho. Deixaram ele jogado lá”, lembrou. “Eu ainda tenho o Kevin para me dar forças. E as outras mães que perderam os filhos?”, disse muito emocionada. Ela mora em Poá e procurou a Santa Casa de Suzano porque havia sido bem atendida nos seus dois partos anteriores.

Publicado por: Diário do Alto Tietê
Em: 05/05/2011
Por: Vivian Turcato