O provedor da Santa Casa de Misericórdia de Mogi das Cruzes, Mário Calderaro, acredita que a unidade passará a receber nos próximos dias um número ainda maior de mulheres em trabalho de parto. Ele avalia que o fenômeno será reflexo da crise que passa a Santa Casa de Suzano, onde quatro recém-nascidos morreram entre os dias 14 e 15 de maio. A superlotação seria o motivo dos óbitos, segundo havia admitido a própria entidade. Ontem, os óbitos foram atribuídos a “fatalidades” pela secretária de Saúde de Suzano, Célia Bortoletto.

Segundo Calderaro, desde a segunda-feira passada, já foi notada uma elevação na quantidade de nascimentos. Diariamente, a instituição registra até 10 partos. Após os óbitos na unidade suzanense, a média subiu para 20. Como consequência, a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) neonatal passou a operar na capacidade máxima, um risco que os mogianos conhecem.

No começo do ano passado, a Santa Casa de Mogi passou por um episódio semelhante à cidade vizinha. Em março de 2010, o Ministério Público chegou a entrar com uma ação civil pública contra a unidade para responsabilizar o hospital pela morte de nove recém-nascidos entre novembro de 2009 e fevereiro de 2010. A promotoria pediu ainda que a Justiça condenasse a Santa Casa ao pagamento de um valor que não seja inferior a R$ 500 mil às famílias como indenização por dano moral coletivo.

A causa das mortes foi infecção hospitalar adquirida pelos bebês na UTI neonatal. Segundo a promotoria, o motivo foi uma reforma realizada no andar do setor e a superlotação.

Ampliação
Logo após superar a crise, concretizada com a troca do comando na instituição e investimentos da administração municipal, a Santa Casa de Mogi busca autorização para utilizar nove novos leitos na UTI neonatal. Ontem pela manhã, o provedor garantiu que em no máximo 90 dias, o hospital terá condições de contar com ao menos três. O gasto extra com os novos leitos será de R$ 30 mil.

Publicado por: Diário do Alto Tietê
Em: 21/05/2011
Por: Cleber Lazo