O médico interventor da Santa Casa de Suzano, Marco Antônio Grandini Izzo, admitiu ontem mais 13 mortes de recém-nascidos na unidade de saúde somente neste ano. Esta declaração foi dada durante a coletiva de Imprensa organizada pela Secretaria Municipal de Saúde para minimizar as mortes dos quatro bebês no último final de semana. A chefe da pasta, Célia Bortoletto, classificou o caso como “fatalidade”.

Izzo revelou que somente neste mês foram registradas sete mortes de crianças na entidade, totalizando 17 nos primeiros cinco meses do ano. De acordo com o parecer técnico assinado pela médica Maria Cristina Perin e pela enfermeira Megumi Takahashi, a Prefeitura de Suzano descarta totalmente a possibilidade das últimas quatro mortes terem sido causadas por infecção hospitalar. Outra causa que também foi desmentida, ontem, foi a que Izzo afirmou à Imprensa na última quinta-feira: a superlotação. O médico argumentou que não soube se expressar corretamente. “Não há superlotação. As mortes foram uma fatalidade”, rebateu Célia.

As quatro crianças que morreram há uma semana tiveram como causa dos óbitos os seguintes problemas: hemorragia pulmonar; asfixia perinatal (quando falta oxigênio no período do trabalho de parto); infecção neonatal; e infecção generalizada, respectivamente.

Um dos falecimentos aconteceu, de acordo com as declarações de Izzo e Célia, porque a mãe da criança permaneceu 11 dias de “bolsa rota” (perda de líquido amniótico antes do nascimento). O interventor explicou que em uma situação como esta, é quase certo que o bebê seja contaminado com alguma bactéria.

Outro caso descrito pelos responsáveis pela unidade foi resultado de complicações na hora do parto. Izzo explicou que a mãe contava com uma gestação gemelar e que o primeiro bebê nasceu de parto normal. “O segundo nenê não girou da forma que precisava. A mãe foi levada para a sala de cesárea, mas infelizmente o bebê não sobreviveu”, contou. A causa deste óbito foi registrada como cardiopatia congênita, choque e infecção generalizada.

Mesmo que três crianças tenham sido diagnosticadas com infecção generalizada, Célia fez questão de frisar que não é prova de infecção hospitalar. “A infecção neonatal é totalmente diferente de uma infecção por ambiente”, disse.

Investigação
Apesar de Izzo e Célia estarem com o discurso afinado que “fatalidades acontecem”, eles revelaram que a investigação na unidade continuará. “Temos que rever nosso modo de trabalho, organização de serviço. Vamos investigar isto internamente”, contou o médico.

O presidente da Comissão Permanente de Saúde da Câmara de Suzano, o vereador Israel Lacerda (PTB), argumentou que na próxima segunda-feira convocará os demais membros do grupo para discutir o conteúdo do parecer técnico. “Vamos nos reunir e formalizar a nossa opinião sobre este assunto”, adiantou.

Publicado por: Diário do Alto Tietê
Em: 21/05/2011
Por: Vivian Turcato