Apesar de afastar a hipótese de infecção hospitalar na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal e de não apontar as causas que levaram a morte de quatro recém-nascidos num intervalo de 13 horas no último final de semana, a direção da Santa Casa de Misericórdia de Suzano suspendeu o atendimento de partos de alto risco e determinou a remoção das gestantes para outras unidades de saúde da Região. Mesmo sem explicar as razões dos óbitos, ocorridos entre às 18 horas do sábado e às 7 horas do último domingo, e que representam o dobro do número de mortes registrada no mês, o interventor Marco Antonio Grandini Izzo atribuiu as ocorrências a “efeitos adversos”, os quais sempre estão relacionados à superlotação.

“Estamos com a UTI Neonatal cheia e não podemos receber outros bebês. Por isso, baixamos uma portaria determinando que as gestantes de alto risco sejam transferidas e reforçamos o serviço de ambulância para fazer as remoções”, informou o interventor, ao explicar que restrição dos atendimentos é apenas para as gestantes oriundas de outras cidades e que não estejam em trabalho de parto eminente. “Estamos pedindo vagas ao sistema regional para atender essas gestantes e também solicitei a ajuda de dois diretores de instituições públicas da Região”, acrescentou – no caso, os outros dois hospitais que contam com UTI Neonatal no Alto Tietê são a Santa Casa de Mogi das Cruzes e o Hospital Santa Marcelina, de Itaquaquecetuba.

De acordo com Izzo, que chegou a confessar que a equipe médica não atendeu de pronto a determinação para transferência das parturientes, a UTI Neonatal conta com cinco leitos credenciados pelo Sistema Único de Saúde (SUS), os quais estão todos ocupados. Além deles, outros três leitos de reserva, para casos emergenciais e que, no caso, são custeados pela própria Santa Casa, também estão com pacientes. Ou seja, segundo as informações dadas pelo interventor logo depois de prestar esclarecimentos à Comissão de Saúde da Câmara Municipal de Suzano, oito bebês permanecem internados na unidade.

A portaria que determina a remoção das gestantes foi baixada pela direção da Santa Casa após o óbito dos quatro bebês em apenas 13 horas e da iminente suspeita de infecção hospitalar, o que levou a adoção também de outras medidas preventivas. “Apesar dessas medidas, não é infecção hospitalar, mas não tenho condições de dizer, neste momento, se as mortes foram por causas evitáveis ou inevitáveis”, declarou Izzo. “Mas estou aliviado porque as análises de prontuários, de exames e de diagnóstico indicam que não se trata de infecção hospitalar”, acrescentou o interventor, ao criticar a divulgação das mortes dos bebês feita ontem, com exclusividade, por O Diário. “Fixamos essa portaria com a intensificação das medidas preventivas em vários locais do hospital e, provavelmente, foi alguém que viu isso que entrou em contato com a reportagem”, disse ele, ao emendar com a informação de que o hospital vem num intenso trabalho para reduzir a mortalidade infantil, mas sem explicar os motivos que levaram o hospital a noticiar a suspeita dos óbitos e a adoção de medidas preventivas só após ser provocado pelo jornal.

Em nota oficial divulgada no início da noite, o diretor do hospital reforçou que a preocupação neste momento “está relacionada à utilização dos recursos além da capacidade máxima da UTI”. Izzo informou, ainda, que o relatório final sobre as causas das mortes dos bebês será divulgado hoje e, após a avaliação do documento, será definida a condução dos processos de assistência na Santa Casa.

Publicado por: O Diário de Mogi
Em: 20/05/2011
Por: Mara Flôres