“Talvez o justo”. Esta foi a única declaração do réu Juliano Aparecido de Freitas, também conhecido como Dumbão, momentos após ser condenado a cumprir pena de 24 anos e seis meses de reclusão em regime fechado pelo assassinato de Cleiton da Silva Leite e pela tentativa de homicídio de Flávio Augusto do Nascimento Cordeiro. Além dele, Vinícius Parizatto, o Capeta, e Danilo Gimenez Ramos, chamados skinheads, são acusados de há sete anos e cinco meses terem obrigado Leite e Cordeiro a pularem de um trem em movimento na estação de Brás Cubas. Os advogados de defesa vão recorrer contra a decisão.

Foram nove horas de julgamento para que, enfim, os sete jurados chegassem a uma conclusão. Com quatro votos a favor da condenação, o juiz da Vara Distrital de Brás Cubas, Alberto Alonso Muñoz, leu a sentença: Dumbão foi condenado a 24 anos e seis meses de prisão em regime fechado, sendo 16 anos e quatro meses pela morte de Leite e oito anos e dois meses pela tentativa de assassinato de Cordeiro, que na queda do trem teve o braço direito amputado pela composição.

Durante todo o julgamento, Dumbão, que poderá recorrer da decisão em liberdade, se mostrou tenso. Além dele, foi ouvido no Tribunal do Júri a vítima Cordeiro e duas testemunhas: Eduardo Gomes da Silva e Emerson de Carvalho Andrade. Os dois estavam no mesmo trem que as vítimas e os acusados. Em depoimento, Andrade confirmou aos jurados que depois de Cordeiro e Leite terem se jogado da composição, os skinheads teriam comentado que se eles não pulassem seriam mortos.

Para o promotor de Justiça Marcelo Alexandre de Oliveira, a condenação de Dumbão é prova de que a Justiça foi feita. “Eles decidiram de acordo com o que estava no processo. Acredito que a pena poderia ter sido maior”, informou.

O advogado das famílias das vítimas, Paulo Roberto da Silva Passos, também comemorou a decisão. “Agora encerramos um ciclo. Não podemos considerar isso uma vitória porque o rapaz que morreu não vai voltar e o outro não vai recuperar o braço, mas hoje a Justiça se fez”, afirmou.

Já o advogado de Dumbão, Adriano Hisao Moyses Kawasaki, informou que vai recorrer da decisão. “Não encaro o resultado como uma derrota, isso é a Justiça. Também não recrimino os jurados. Agora a defesa vai recorrer, principalmente, pela pena, que foi um pouco exagerada”, finalizou. (Colaborou Jamile Santana)

Publicado por: Mogi News
Em: 21/05/2011
Por: Deize Batinga e Jamile Santana