As irregularidades apontadas no relatório da Vigilância Sanitária Estadual sinalizam que novas mortes podem ocorrer na Santa Casa de Misericórdia de Suzano. Esta é a avaliação da promotora da Vara da Saúde Pública, Celeste Leite dos Santos. Com base nesse relatório ela recorrerá da decisão da Justiça que indeferiu o pedido de total interdição da ala da maternidade do hospital. “Este fato (irregularidades) aliado ao alto índice de mortes no local é suficiente para que o bom senso se faça presente. Existe um sério risco de que outras mortes possam acontecer. O direito é plausível e verossímil e há grande risco de dano a eventuais crianças que venham nascer e às gestantes”, afirmou.

Foram relatadas diversas irregularidades nas vistorias ao hospital, como ausência de pediatras em partos, ralos sujos, lâmpadas sem proteção, armários empoeirados, entre outras. “Diante disso quem tem a coragem, dentre nós, podendo recorrer a outro hospital pelo plano de saúde abdicaria deste tratamento para colocar-se em risco na Santa Casa de Suzano”, disse.

A apuração dos responsáveis, segundo Celeste, está a cargo dos promotores de Justiça criminais, uma vez que ela já requisitou instauração de inquérito policial.

Convocação

O prefeito Marcelo Candido (PT) não compareceu ontem à promotoria. É a segunda vez que ele não comparece para prestar esclarecimentos sobre as mortes de recém-nascidos na rede pública de Saúde em Suzano. “Será designada nova data, consoante a disponibilidade deste e da secretária (Célia Bortoletto)”, explicou a promotora.

Em coletiva ontem, o prefeito confirmou 18 óbitos desde janeiro na Santa Casa, mas disse que a interdição no hospital não tem relação com as mortes. Disse que a medida refere-se a uma readaptação física na maternidade e que obras serão promovidas no local, mas não detalhou o projeto. Sobre sua ausência na promotoria, Candido justificou alegando que tratava-se de um convite, feito sem antecedência, e não uma convocação.

Críticas
Sobre as críticas de secretários municipais ao MP por instaurar os inquéritos civis e solicitar a interdição da maternidade da Santa Casa, Celeste reforçou a ação da Promotoria no caso que chocou Suzano por conta do alto número das mortes de crianças: “O Ministério Público continuará a defender o direito da população a ter um atendimento de saúde com qualidade e dignidade”.

Intervenção
Sobre um eventual fim da intervenção e o retorno da Irmandade à Santa Casa, a promotora disse que “a conveniência da manutenção da intervenção da municipalidade será apreciada no curso da ação civil pública interposta”, concluiu.

Publicado por: Diário do Alto Tietê
Em: 08/06/11
Por: Vivian Turcato