Archive for julho, 2011


As lições de Amy

Cesar de Oliveira

Em uma entrevista para a revista Trip, o escritor Bernardo Carvalho diz o seguinte: “O prazer é uma das coisas que mais incomoda os outros. As pessoas não gostam de ver os outros sentindo prazer . . . A liberdade dos outros incomoda quando você está preso”.Obviamente que há de ser pesado e relativizado, no entanto, a afirmação se enquadra perfeitamente bem para Amy Winehouse. Doente, ou não, ela pode ter levado estas sensações e sentimentos à máxima potência. E deu no que deu.

De que forma os jovens são influenciados por isso? O quanto o comportamento aparentemente destrutivo de Amy tem impacto na formação de adolescentes? Por acaso alguém sai de casa com as roupas e penteados iguais aos dela? E usa droga só porque a cantora vivia dopada? Pouco provável, mas enfim.

Andando em qualquer cidade do Alto Tietê, ou até mesmo em São Paulo, é mais fácil ver crianças e adolescentes coloridos do que vestidos todos de preto com os cabelos penteados e presos para cima, característicos de Amy. Estes jovens são muito mais influenciados por quem está mais próximo deles, como as chamadas bandas do rock colorido, como Restart, por exemplo. As loucuras de Amy parecem estar bem longe da realidade da maioria, que assiste a tudo pela imprensa e muitas vezes deveria achar o máximo uma menina como ela, com um talento incrível, cambaleando por aí. Mas nem por isso eles tentaram imitá-la, sabe-se lá por qual motivo.

Se usam algum tipo de droga, incluindo aí o álcool e o cigarro, é muito mais pelo fácil acesso que têm do que porque o ídolo do momento é um drogado ou dependente químico. Estar numa festa e, de repente, se ver diante de qualquer substância que não conhece pode ser a oportunidade para conhecer e passar a utilizar drogas – lembrando novamente que o álcool e o tabaco também são drogas. Muitas vezes, principalmente no caso destas duas últimas, na própria casa há oferta abundante, mas graças ao status social histórico não são motivos de preocupação dos pais, cujo beber ou fumar socialmente não tem influência alguma para os filhos. Ao menos é isso que eles acham.

No caso de Amy, o que fica claro pelas notícias é que ela realmente tinha problemas graves de saúde. Isso vai muito além da loucura de um jovem que quer viver a tríade sexo, drogas e rock and roll. Mas nem todo mundo é dependente químico, e realmente, muitos adolescentes usam substâncias que alteram o estado de consciência para se enquadrar em determinado grupo, ser mais aceito ou simplesmente tentar escapar da sua realidade. Aliás, estes são apenas três motivos que podem justificar o uso de drogas, mas a questão é muito mais complexa do que isso.

O que talvez seja possível de generalizar é o hedonismo que domina a personalidade nesta idade pré fase adulta. A busca pelo prazer, no sentido mais amplo possível, é o que move estes jovens, seja pela descoberta sexual, química ou trocando gibis, por exemplo. Nesta etapa da vida, cada um só quer saber de fazer aquilo que acha que gosta e lhe dá o prazer imediato. Nada pode esperar. Há um desespero pelo hoje e o agora, e o amanhã é exatamente isso: amanhã. Com isso, as consequências de atitudes e ações não são medidas e todos tendem a errar bastante, até encontrar um ponto de equilíbrio.

Atualmente os jovens têm exemplos de sobra para seguir, seja ídolos da música, da tevê, Internet ou pessoas mais próximas, como os familiares ou amigos. A busca por se enquadrar em algum grupo continua marcando estas gerações neste momento da vida, e vai continuar assim por um bom tempo. Hoje isso ocorre com roupas coloridas, óculos grandes e um comportamento que está bem longe do abuso de álcool e drogas. A maior lição que Amy pode ter deixado para os jovens de hoje é de como não se comportar, porque em pouco tempo ela conseguiu demonstrar o quanto a dependência química pode ser prejudicial para qualquer um. Entretanto, a grande questão é: na busca pelo prazer e por aquilo que os faça felizes, os jovens rejeitam qualquer exemplo, bom ou ruim, portanto, o que será que a trajetória de Amy vai ensinar para eles?

Cesar de Oliveira é jornalista e está sempre muito mais preocupado com as perguntas do que com as respostas.
cesar@eumemo.com.br

A educação ambiental foi apontada como um dos instrumentos importantes para colocar em prática a Política Nacional dos Resíduos Sólidos (PNRS) durante o debate promovido pelo Instituto de Formação Política Augusto Boal (IAB). “Lixo, desafios das cidades”, foi o tema do encontro “Segundas Intenções” realizado no Espaço Vida Padre Eustáquio, em Poá. A educadora ambiental Maria Henriqueta Andrade Raymundo destacou, porém, que a educação para a preservação do meio ambiente vai além das escolas e deve contemplar todos os cidadãos.

O eixo da educação ambiental aparece no artigo 8º, da lei federal nº 12.305/10, que estabelece a nova política para os resíduos sólidos. Conforme explica Maria Henriqueta, é papel tanto do governo, da sociedade, como do cidadão cobrar a implementação de ações para que a população possa se conscientizar de como lidar com o lixo doméstico. “Este triângulo (governo, sociedade e cidadãos) devem ser amorosos, mas muitas vezes, se tornam conflituosos”, afirma a educadora.

De acordo com a Política Nacional de Educação Ambiental, ao qual a PNRS está articulada, todos tem direito ao processo educativo, poder público, escolas e universidades, os meios de comunicação, as empresas e entidades de classe e toda a sociedade. Isto desmistifica a tese de que a educação ambiental deve ter enfoque apenas nas instituições de ensino.

O debate, que contou com as presenças também da professora e ex-diretora de Meio Ambiente da Prefeitura de Poá, Claudete Canada e do catador e representante da Cooperativa de Reciclagem Unidos pelo Meio Ambiente (Cruma), Roberto Laureano da Rocha, apontou problemas na pedagogia implementada em algumas escolas em que alunos coletam latas de alumínio em troca de prêmios. “Desta forma, os alunos são incentivados a consumir mais, comprar mais latinhas para trocar na escola, o que estimula o consumismo e gera mais lixo”, acrescenta Maria Henriqueta.

Uma importante decisão judicial deve beneficiar milhares de crianças diabéticas no Estado de São Paulo. A 10ª Vara Federal Cível de São Paulo concedeu liminar a uma ação civil pública movida pelo Ministério Público Federal (MPF), que obriga o Sistema Único de Saúde (SUS) a fornecer gratuitamente a insulina “Glargina” e outros insumos necessários ao tratamento de diabetes que são menos agressivos ao organismo. A decisão por enquanto só tem validade no estado paulista.

O juiz federal Danilo Almasi Vieira Santos determinou um prazo de 30 dias para que o SUS possa se adequar a nova situação e fornecer os medicamentos e insumos. Após este período, se houver recusa dentro de uma unidade de saúde pública, está prevista multa diária de R$ 1 mil.

O que muda?
O MPF já vem investigando as formas de tratamento de crianças e adolescentes na rede pública de saúde desde 2007, quando ingressou com um inquérito civil. A apuração detectou que o Estado se limitava a fornecer as insulinas Regular e NPH e agulhas de 8 a 12 mm, mas estes insumos não eram suficientes para proporcionar aos pacientes uma maior autonomia no tratamento, o que atrapalhava na qualidade de vida de quem tem diabetes mellitus.

A partir do final de agosto deste ano, o Estado será obrigado a fornecer a insulina Glargina e agulhas menores de 5 mm de comprimento, além das canetas aplicadoras. Vale lembrar que a adição de insulina no organismo deve ser feita sob prescrição médica. O diabetes causa a diminuição na produção deste hormônio necessário para fazer com que a glicose consumida seja transformada em energia para o corpo. Acredita-se que a Glargina apresenta efeito em até 24 horas e equivale a duas doses da NPH, por exemplo.

Médicos ainda apontam para uma contra-indicação. O uso da agulha longa em crianças e adolescentes magros aplicada no músculo pode causar hipoglicemia, que é a falta de açúcar no sangue.

“O direito à vida deve ser interpretado não só como garantia de existência orgânica do ser humano, mas acima de tudo como garantia de uma vida plena e digna, principalmente em relação a crianças e adolescentes, que são prioritariamente protegidos pela legislação brasileira”, afirma o procurador regional dos Direitos do Cidadão do MPF-SP, Jefferson Aparecido Dias.

Estudantes chilenos nas ruas protestam contra projeto de reforma na educação pública

A luta por uma educação pública de qualidade não é uma causa defendida somente no Brasil. No Chile, o movimento estudantil tem ganhado as páginas dos jornais pelos protestos recorrentes ocorridos na capital do país, Santiago, e tem expandido as fronteiras. O governo do presidente Sebastián Piñera apresentou um projeto de reforma na educação, com foco na privatização. Recentemente, nos jogos da Copa América deste ano, disputada na vizinha Argentina, um olhar mais atento poderia verificar faixas do movimento, misturadas entre tantas outras de torcidas organizadas no estádio de Mendoza, por exemplo.

Analistas latino-americanos dizem que surge no Chile um novo grupo estudantil, que tem levado 400 mil às ruas de forma recorrente, para defender o que querem que é a estatização da Educação. Para isto, será preciso inverter a lógica de um sistema implantado há décadas que privatizou a maior parte das escolas, inclusive as de ensino básico. Em entrevista a agência de notícias Adital, o professor e autor de livros sobre a educação e o capital chilenos, Manuel Cornejo Vilches, acredita que a contribuição mais importante do grupo é desmistificar e desconstruir a publicidade estatal e provar que é possível investir mais recursos públicos no setor.

Expulsão
Um caso emblemático ocorrido recentemente no país do Pacífico serve de reflexão para o Brasil. A estudante secundarista (o equivalente ao ensino médio) Lorena Mussa Valenzuela foi expulsa de um colégio particular, em Arica, no norte do Chile, por ter mobilizado uma assembleia pela rede social Facebook, para que os alunos daquela unidade de ensino aderissem as recentes mobilizações do movimento estudantil.

A Corte de Apelaciones de Arica, que equivale aos Tribunais de Justiça dos estados concedeu um recurso de proteção a Lorena para que ela permaneça no colégio e que conclua seus estudos (a adolescente está há poucos meses de concluir o ensino médio). Os juízes da corte entenderam que “a convocação estava ligada ao contexto do movimento estudantil para melhorar a qualidade da educação em nível nacional, e não se tratou de injúria”, como argumentou a direção da escola.

No Brasil, o Congresso Nacional discute o Plano Nacional de Educação (PNE), que apresenta metas a serem cumpridas pelos governos e estabelece um teto de investimento do Produto Interno Bruto (PIB) para o setor. Esta discussão ainda não ganhou as ruas, e tão logo o projeto for aprovado valerá por dez anos.

Em setembro deste ano, a lei que obriga o uso das cadeirinhas para o transporte de bebês e crianças de até 7 anos ainda é motivo de muitas confusões por parte dos motoristas brasileiros. Com o objetivo de disseminar informações sobre a segurança de crianças no trânsito, a organização não-governamental (ONG) Criança Segura, fará um curso online e gratuito sobre prevenção de acidentes. As inscrições terminam no próximo dia 17 e devem ser feitas pelo site da instituição.

Os acidentes de trânsito representam a principal causa de morte de crianças com até 14 anos no Brasil. Serão 400 vagas e para se inscrever é necessário preencher os dados pessoais e em seguida, o participante receberá um e-mail de confirmação com um código de acesso. O primeiro acesso deve ser feito até 1º de agosto, mesma data de início das aulas. São três meses de curso com carga horária de 24 horas.

Alguns dados sobre a Educação em Itaquá ajudam a explicar esta defasagem em relação a outras cidades do entorno. A taxa de reprovação escolar entre os alunos do ensino fundamental é uma das mais significativas. Enquanto que no ano 2000 8,5% dos estudantes neste nível de escolaridade eram reprovados, agora em 2008 subiu para 9,3%. Apenas a título de comparação, Mogi das Cruzes tem 6,5% de taxa de reprovação no ensino fundamental.

O Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (Saresp), que avalia as escolas estaduais e parte da rede municipal de ensino, mostra de maneira mais evidente a defasagem existente. Enquanto a média das notas obtidas no Saresp em Itaquá no ano passado foi de 217,4 no 9º ano do ensino fundamental em língua portuguesa, a média estadual foi de 240,3, uma diferença de 22,9 pontos. Em matemática, entre os alunos do 3º ano do ensino médio, às portas de deixarem a educação básica e ingressar em um curso superior, ou profissionalizante, Itaquá teve média 255,7, enquanto que o Estado teve média de 270,7, uma diferença de 15 pontos.


Itaquaquecetuba apresenta os piores níveis de escolaridade do Estado, segundo dados do Índice Paulista de Responsabilidade Social (IPRS). A cidade ocupa a penúltima posição entre todos os 645 municípios avaliados em 2008. Atrás de Itaquá, somente está Potim, cidade de pouco mais de 19 mil habitantes, da região do Vale do Paraíba, que fica a 200 quilômetros de distância do Alto Tietê.

De acordo com a metodologia adotada pela Fundação Seade, órgão responsável pela elaboração do IPRS, Itaquá é uma das três cidades do Alto Tietê que pertencem ao grupo 4,  que possui baixo nível de riqueza e apresenta indicadores sociais insatisfatórios. As outras duas são Biritiba Mirim e Salesópolis. Enquanto que a média da Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) no quesito escolaridade foi de 68, Itaquá obteve apenas 40.

O que acontece com a cidade é que o desenvolvimento educacional cresce, mas ainda de forma lenta. Para comprovar esta afirmação basta analisar que nos últimos nove anos, houve um crescimento de 53%, enquanto que toda a RMSP foi pouco mais de 58%. Vale lembrar que a Região Metropolitana não pode ser classificada como modelo a ser atingido, uma vez que ela ocupa a oitava posição de um total de 15 regiões analisadas. A região de São José do Rio Preto é um exemplo, pois desde 2000 tem níveis de escolaridade superiores a da média estadual, sendo que atualmente tem média 75 (na escala de 0 a 100).

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