Estudantes chilenos nas ruas protestam contra projeto de reforma na educação pública

A luta por uma educação pública de qualidade não é uma causa defendida somente no Brasil. No Chile, o movimento estudantil tem ganhado as páginas dos jornais pelos protestos recorrentes ocorridos na capital do país, Santiago, e tem expandido as fronteiras. O governo do presidente Sebastián Piñera apresentou um projeto de reforma na educação, com foco na privatização. Recentemente, nos jogos da Copa América deste ano, disputada na vizinha Argentina, um olhar mais atento poderia verificar faixas do movimento, misturadas entre tantas outras de torcidas organizadas no estádio de Mendoza, por exemplo.

Analistas latino-americanos dizem que surge no Chile um novo grupo estudantil, que tem levado 400 mil às ruas de forma recorrente, para defender o que querem que é a estatização da Educação. Para isto, será preciso inverter a lógica de um sistema implantado há décadas que privatizou a maior parte das escolas, inclusive as de ensino básico. Em entrevista a agência de notícias Adital, o professor e autor de livros sobre a educação e o capital chilenos, Manuel Cornejo Vilches, acredita que a contribuição mais importante do grupo é desmistificar e desconstruir a publicidade estatal e provar que é possível investir mais recursos públicos no setor.

Expulsão
Um caso emblemático ocorrido recentemente no país do Pacífico serve de reflexão para o Brasil. A estudante secundarista (o equivalente ao ensino médio) Lorena Mussa Valenzuela foi expulsa de um colégio particular, em Arica, no norte do Chile, por ter mobilizado uma assembleia pela rede social Facebook, para que os alunos daquela unidade de ensino aderissem as recentes mobilizações do movimento estudantil.

A Corte de Apelaciones de Arica, que equivale aos Tribunais de Justiça dos estados concedeu um recurso de proteção a Lorena para que ela permaneça no colégio e que conclua seus estudos (a adolescente está há poucos meses de concluir o ensino médio). Os juízes da corte entenderam que “a convocação estava ligada ao contexto do movimento estudantil para melhorar a qualidade da educação em nível nacional, e não se tratou de injúria”, como argumentou a direção da escola.

No Brasil, o Congresso Nacional discute o Plano Nacional de Educação (PNE), que apresenta metas a serem cumpridas pelos governos e estabelece um teto de investimento do Produto Interno Bruto (PIB) para o setor. Esta discussão ainda não ganhou as ruas, e tão logo o projeto for aprovado valerá por dez anos.