A educação ambiental foi apontada como um dos instrumentos importantes para colocar em prática a Política Nacional dos Resíduos Sólidos (PNRS) durante o debate promovido pelo Instituto de Formação Política Augusto Boal (IAB). “Lixo, desafios das cidades”, foi o tema do encontro “Segundas Intenções” realizado no Espaço Vida Padre Eustáquio, em Poá. A educadora ambiental Maria Henriqueta Andrade Raymundo destacou, porém, que a educação para a preservação do meio ambiente vai além das escolas e deve contemplar todos os cidadãos.

O eixo da educação ambiental aparece no artigo 8º, da lei federal nº 12.305/10, que estabelece a nova política para os resíduos sólidos. Conforme explica Maria Henriqueta, é papel tanto do governo, da sociedade, como do cidadão cobrar a implementação de ações para que a população possa se conscientizar de como lidar com o lixo doméstico. “Este triângulo (governo, sociedade e cidadãos) devem ser amorosos, mas muitas vezes, se tornam conflituosos”, afirma a educadora.

De acordo com a Política Nacional de Educação Ambiental, ao qual a PNRS está articulada, todos tem direito ao processo educativo, poder público, escolas e universidades, os meios de comunicação, as empresas e entidades de classe e toda a sociedade. Isto desmistifica a tese de que a educação ambiental deve ter enfoque apenas nas instituições de ensino.

O debate, que contou com as presenças também da professora e ex-diretora de Meio Ambiente da Prefeitura de Poá, Claudete Canada e do catador e representante da Cooperativa de Reciclagem Unidos pelo Meio Ambiente (Cruma), Roberto Laureano da Rocha, apontou problemas na pedagogia implementada em algumas escolas em que alunos coletam latas de alumínio em troca de prêmios. “Desta forma, os alunos são incentivados a consumir mais, comprar mais latinhas para trocar na escola, o que estimula o consumismo e gera mais lixo”, acrescenta Maria Henriqueta.