O trote violento nas faculdades e universidades pode rebaixar a nota de instituições de ensino superior no país. A medida sugerida pelo Ministério Público Federal (MPF) ao Ministério da Educação recebeu parecer favorável pela Comissão Nacional de Avaliação da Educação Superior (Conaes). O MPF recomendou ainda que medidas preventivas adotadas de forma a coibir a violência entre os alunos calouros e veteranos também podem ser levadas em conta na avaliação das instituições.

Em ofício enviado este mês, o Conaes confirmou que o instrumento de avaliação está em processo inicial de discussão, devendo ser aprovado para utilização já no início do próximo ano. Segundo o documento, “uma vez que o entendimento de que a formulação de políticas de incentivo ao trote solidário/cidadão e que coíbam trotes violentos, se dá em nível institucional, a inclusão deste aspecto ocorrerá no Instrumento de Avaliação Institucional e na orientação para auto-avaliação”.

Para o procurador da República, Thiago Lacerda Nobre, responsável pelo procedimento que apura a prática de trotes violentos, é uma vitória que o MEC reconheça a importância de se cobrar das instituições de ensino superior, atitudes e fiscalização que impeçam atos de violência contra novos alunos que ingressam nas universidades.

“Tivemos experiências positivas ao cobrar das instituições sua parcela de responsabilidade em Termos de Ajustamento de Conduta (TAC) firmados com algumas universidades, mas a implantação de uma política de avaliação dos cursos que coíba trotes violentos em todos os cursos, nacionalmente, é uma vitória para toda a sociedade”, afirma Nobre.