Padre Vito deixa o Recife aclamado pelo povo - Crédito: Blog do Messias Pereira

Padre Vito deixa o Recife aclamado pelo povo – Crédito: Blog do Messias Pereira

Blog: Onde foi que o Sr. se refugiou?
Padre Vito Miracapillo: Logo depois da missa o bispo auxiliar disse: “Vito, venha comigo para a diocese”. Fui com ele, um dia depois fiquei em uma outra cidadezinha lá e depois com o advogado fui ao Recife e lá estava cheio de escritas (pichações) contra mim. “Fora Padre Vito do Brasil”. Enquanto as mensagens de solidariedade foram todas apagadas. Fui hospedado lá na casa dos Redentoristas de Recife. No dia 15 de outubro, saiu na televisão que o general Figueiredo tinha chegado do Chile, em um encontro com (Augusto) Pinochet e, logo que chegou, assinou a minha expulsão. Eu fiquei esperando que talvez a polícia vinham me pegar. Mas, chegam pessoas, bispos e deputados de oposição e membros da paróquia, me dar solidariedade no Recife. Um dia depois, fomos como os bispos, lá na Superintendência da Polícia Federal do Recife, e lá, o superintendente disse para os bispos: “ou o padre Vito fica aqui preso até sair do Brasil, ou então pode ficar em um endereço, na casa dos religiosos sem sair da cidade”. Os bispos aceitaram esta segunda opção. No dia 17, ao meio dia, chamaram o meu amigo, dizendo que as 10 horas, eu tinha que ir me encontrar lá na Cúria Metropolitana. Dom Helder (Câmara) estava fora, porque todos os bispos tinham um encontro com o Papa em Roma. Só havia os bispos que me acompanharam. Celebramos a missa ao meio-dia, e às 15 horas chegou um carro da polícia querendo me pegar e levar para o aeroporto. Os bispos se opuseram e disseram que ou se mantém aquilo que foi decidido na superintendência, quer dizer, que eu sairia como cidadão livre, ou então, só com a força. O capitão respondeu que tinha ordens mais que superiores para agir desse jeito. Os bispos se opuseram e aconteceu que a gente estava lá no primeiro andar lá da Cúria, e lá embaixo já se formou umas 200 pessoas que começaram a cantar cantos de libertação que a gente naquela época cantava e gritavam: “Padre Vito, o Brasil é teu. O Brasil está contigo”. O capitão contatou uma terceira pessoa e disse: “está bem, os dois bispos podem vir com o padre Vito”. E saímos. No entanto, tinha chegado toda a imprensa também e eles me cobriram, fizeram um percurso maior pela cidade, de maneira que quando chegamos ao aeroporto, já estava cheio de pessoas, centenas que tinham ouvido pelo rádio que eu sairia. A imprensa toda do Brasil estava lá. Entramos por uma entrada secundária e me levaram para a sala VIP do aeroporto. Dois jornalistas vieram pulando o muro e vieram até nós, porque queriam me entrevistar. A polícia não queria e no entanto, um deles deu um chute na porta que era de vidro, quebrou a porta, a polícia queria prender os dois, mas viu que todo os outros haviam pulado o muro também. Então, chamaram reforço. O pessoal sentou no meio da pista esperando que eu saísse. Dois deputados de oposição fizeram um comício contra o governo, contra a minha expulsão. A polícia concedeu que os padres, tinham uns 100 presentes, poderiam entrar para me cumprimentar. Os padres responderam: “ou todos, ou ninguém”. O medo era o tumulto que podia acontecer. Os soldados disseram para os bispos, deputados, advogados que acompanhassem comigo até o avião porque o pessoal tinha feito um corredor polonês lá, da sala onde a gente se encontrava até o avião. E no entanto, que a gente passava, cantavam cantos de libertação e gritavam: “Padre Vito, o Brasil é teu. O Brasil está contigo”. E muitos vinham me abraçar e me cumprimentar. Subimos no avião, era acompanhado por um policial rumo ao Rio de Janeiro.