A Internet salva!


Fazer música independente está longe de parecer fácil. Exatamente assim: sequer parece fácil. Tanto faz se a música produzida é boa, é Rock, Pop ou o que quer seja. Quem a faz tem o direito de divulgá-la, de vendê-la (não no sentido literário da palavra, que fique claro). Com uma indústria fonográfica viciada em tanta porcaria e desesperada para a cada seis meses encontrar novos (pseudo) talentos, é na Internet que está o elo entre o músico, a música quem gosta de música i.n.d.e.p.e.n.d.e.n.t.e. A Internet vai destruir as gravadoras e eu espero estar vivo para ver isso.

A Internet permite hoje que o cara que goste de música faça um disco com apenas uma mesa de som. Basta baixar um programa de gravação de áudio, em seguida estudá-lo baixando tutoriais e depois baixar programas de mixagem e estudá-los também. Depois de gravar os instrumentos ligando uma mesa de som à entrada do microfone do computador, ele vai utilizar a mesma Internet que serviu para aprender a gravar para dar sequência ao trabalho que produziu. É a hora de divulgar. Vale, antes, ressaltar que há também programas em que é possível criar as bases de cada instrumento.

Para divulgar, ele precisa abrir uma conta no Myspace, Trama Virtual, Oi Novo Som e tantos outros sites, redes sociais ou portais que permitam oferta de músicas. Para divulgar ele pode acessar a comunidade Bandas Independentes do Brasil no Orkut, com mais de 40 mil membros, e lá conhecer um universo de outros grupos bons ou ruins, não importa, e, além de apresentar o que produz, conhecer muita coisa nova.

Há alguns exemplos de como a Internet é maior do que a indústria fonográfica que aí está. A cantora Mallu Magalhães estourou depois de lançar no Myspace dela a música “Tchubaruba”, que em semanas alcançou quase meio milhão de reproduções. Os ingleses do Radiohead, uma das maiores bandas da atualidade e, na minha humilde opinião, a mais influente do mundo hoje, simplesmente não renovou o contrato com a gravadora e lançou o álbum “In Rainbows” pela Internet permitindo que os fãs escolhessem quanto pagariam pelas músicas. Sem a rede mundial isso não seria possível.

Não estou tentando falar em como se tornar famoso ou que com a net ficou mais fácil gravar músicas. Não é isso. O objetivo aqui é apontar que a Internet deu luz a muita gente por aí. E vai continuar dando. Aliás, isso serve para muitas outras situações também. Me ocorreu agora:  onde é que eu teria um artigo publicado se não fosse pela net? Sinceramente, não sei.

Como diria Friedrich Nietzsche, sem música a vida seria um erro. E viva a Internet!

Will Pereira é jornalista e membro da banda Colettive
E-mail: zeroa10@yahoo.com.br
Twitter: www.twitter.com/cestwill

Tá difícil fazer música

Este é meu primeiro artigo. Tentarei neste espaço falar sobre música, independente. Por saber que o tempo será longo e que assuntos não vão faltar, darei hoje uma breve opinião sobre o que acho da “questão” das bandas independentes. Suas dificuldades e dificuldades. Nos próximos posts irei acertando o pé das coisas, trazendo mais elementos para os textos. Deixo desde já o meu e-mail (zeroa10@yahoo.com.br) para sugestões, críticas e indicações de bandas. A elas!

Se eu tivesse que enumerar as dificuldades pelas quais passam bandas independentes ficaria algumas horas para montar uma espécie de ranking. São muitas. Vão desde a falta de recursos para fazer um bom disco, em um bom estúdio e com boa – e não estou falando ótima – qualidade, até coisas mais simples como um local para ensaiar.

Ter uma banda não é uma tarefa fácil. Os instrumentos são caros, o tempo para se dedicar é pouco e as oportunidades praticamente não existem. Quase sempre as bandas sobrevivem do próprio suor, da própria ânsia de estar bem. A região do Alto Tietê é um exemplo de como a cultura, ou o acesso a ela, falta. Não há investimento. As bandas independentes são vistas com maus olhos. Se forem de rock então, piorou. Em qual das cidades da região há acesso para que grupos de pessoas interessadas se utilizem dos espaços PÚBLICOS para criar seus eventos. E não, não é que não existam meios; eles são “apenas” burocráticos demais.

Há muita banda boa e com gás de sobra que não aparece porque falta espaço. Vou citar o exemplo de Mogi das Cruzes. A cidade possui seus “points” de bandas. O problema é que sempre tocam as mesmas bandas neles. As novas ou diferentes são assistidas com ironia, sorrisos de canto de boca e má vontade, pura. Além de ser difícil se inserir nos espaços, há quem tenha que se inserir nos grupos daquele ambiente para ficar “numa boa”.

Fato é que banda nenhuma sobrevive sem ter músicas gravadas. Se não há música, não há local para tocar, não há gente para ouvir. É muito simples. Para fazer um CD com seis músicas se gasta algo em torno de R$ 1,8 mil. Um dinheiro alto se pararmos para pensar que, geralmente, quem toca em uma banda tem emprego, família e outras prioridades.

É nesse ponto que entra a importância da internet como meio de publicidade, de divulgação, de fazer contatos, de trocar ideias e de tantas outras coisas. Mas, vou falar da Internet e como ela ajuda os grupos independentes no próximo texto. Por ora, encerro este também. Era mesmo para ser apenas uma primeira impressão. Até os novos!

Willian Pereira é jornalista, repórter do jornal Mogi News e membro da banda Colettive.

E-mail: zeroa10@yahoo.com.br
Twitter: www.twitter.com/cestwill