O que são transtornos alimentares?


Os Transtornos Alimentares são caracterizados por perturbações no comportamento alimentar, podendo levar ao emagrecimento extremo, à obesidade ou outros problemas físicos. Apesar de prevalecer entre moças adolescentes e jovens adultas, aproximadamente 5% a 10% dos casos ocorrem com rapazes. As vítimas sentem-se normalmente impotentes em relação às suas vidas, sofrem de baixa auto-estima e têm uma fraca imagem do seu corpo. Usam a comida como forma de controlar alguns aspectos das suas vidas.

Algumas formas comuns de transtorno alimentar são: a Anorexia Nervosa  que é uma condição em que as pessoas restringem a ingestão de comida, às vezes para valores tão baixos como 300 calorias por dia; a Bulimia Nervosa caracteriza-se por períodos de ingestão  em grandes quantidades de comida para depois vomitar ou usar laxantes para eliminar a comida do corpo; o Transtorno de Compulsão Alimentar que é quando as pessoas comem em demasia, mas não expurgam a comida e ganham peso em excesso e a Ortorexia é a obsessão doentia por alimentação saudável, o que em excesso e não regulado pode ser prejudicial. Qualquer um destes transtornos alimentares tem consequências nutricionais muito graves e um forte impacto na saúde dos indivíduos.

Uma boa alimentação é essencial a todos especialmente às pessoas em recuperação de um transtorno alimentar. Primeiro certifique-se de que a pessoa com o transtorno foi avaliada por um médico qualificado e que se encontra num plano de tratamento. Uma terapia nutricional aliada a psicoterapia e farmacologia podem ajudar uma pessoa em recuperação de um transtorno alimentar.

Parte de um plano de tratamento eficaz consiste em ajudar a pessoa a regressar a um padrão de alimentação saudável. O corpo de uma pessoa que tem passado fome está num estado terrível e precisa de alimentos nutritivos para recuperar energia, restabelecer o equilíbrio químico e melhorar a clareza mental.

Os atletas que sofrem de transtornos alimentares precisam de aconselhamento nutricional especializado. Atividades como a luta livre, corrida, balé e ginástica, que dão ênfase a corpos magros e tonificados, apresentam um número excepcionalmente elevado de praticantes com transtornos alimentares.

Procure sinais de aviso que possam indicar que uma pessoa jovem possa estar a caminho de um transtorno alimentar: contar obsessivamente as calorias de tudo o que come, só fazer “dieta” ou comer alimentos baixos em gordura, dizer que está gorda quando de fato está muito magra, abusar de laxantes, pesar-se constantemente e fazer exercício em excesso.

As práticas da boa nutrição podem ajudar a prevenir transtornos alimentares. Os jovens vão buscar a sua imagem corporal e autoestima ao mundo que os rodeia. Envolver as crianças na preparação da comida e ensinar-lhes a reconhecer imagens corporais realistas pode prepará-las para hábitos saudáveis que podem ser úteis ao longo da vida.

Ajude-os a focarem na boa saúde e alimentos saudáveis, em vez do que seu peso e a balança dizem. As crianças podem ser saudáveis se comerem alimentos corretos e fizerem exercício. Ensinem as crianças a comerem quando têm fome e não por razões emocionais. Deixe-as saberem que não há nenhuma boa razão para terem de passar fome. Não critique o peso de uma criança nem se queixe do seu tamanho. Desenvolvam previamente planos de alimentação saudável e mantenha-se firme na sua execução.

Luciana de Jesus Freire Ferreira é nutricionista formada pela Universidade São Judas Tadeu e atualmente oferece orientação nutricional no Espaço Vida Padre Eustáquio, em Poá-SP

Obesidade Infantil: a minha criança tem excesso de peso?

O número de crianças obesas continua a crescer. Ao longo das duas últimas décadas, este número cresceu em mais de 50%, e o número de crianças “extremamente” obesas praticamente dobrou. Os médicos e profissionais de saúde determinam se uma criança é obesa calculando o IMC. Apesar das crianças registrarem menores problemas relacionados com o peso dos adultos, as crianças obesas têm um elevado risco de se tornarem adolescentes e adultos obesos. Por sua vez, os adultos com problemas de peso podem ter várias complicações de saúde, incluindo doenças coronárias, diabetes, problemas de coração, pressão arterial elevada.

As crianças podem tornar-se obesas por variadas razões. As mais comuns são:  fatores genéticos, falta de atividade física, padrões de alimentação pouco saudáveis, ou uma combinação de todos. Em casos raros, uma desordem endócrina, pode levar a que uma criança se torne obesa. O médico pode realizar um exame físico e análises sanguíneas para excluir esta hipótese.

Crianças cujos pais ou irmãos tenham excesso de peso têm um risco acrescido de se tornarem elas próprias obesas. Apesar dos problemas de peso serem comuns dentro de algumas famílias, nem todas as crianças com um histórico familiar de obesidade irão tornar-se também obesas.Os hábitos alimentares de uma criança e o grau de atividade física desempenham ambos um importante papel na sua saúde e peso. A crescente popularidade da televisão, computadores e outros fenômenos tecnológicos de interação virtual contribuem para a inatividade física e o sedentarismo. O tempo médio que uma criança passa a ver televisão por semana é de 24 horas.

Uma das coisas mais importantes que se pode fazer para ajudar crianças com excesso de peso é dizer-lhes que estão bem e que as ama, independentemente do seu peso. Os sentimentos das crianças sobre si próprias baseiam-se muitas vezes nos sentimentos dos próprios pais sobre elas. Se aceitar a sua criança com qualquer peso, elas terão melhores probabilidades de sentir-se bem consigo próprias. É igualmente importante falar sobre a obesidade, e permitir à criança partilhar as suas preocupações. Por estas razões, as crianças obesas necessitam de suporte, aceitação e encorajamento dos seus pais.

Os pais não devem descriminar os filhos e pô-los à parte devido ao peso, mas sim se concentrar em mudar gradualmente o grau de atividade física da família e os hábitos alimentares. O envolvimento familiar ensina todos, não apenas as crianças, a adquirirem hábitos de uma alimentação saudável.

Atividade física regular, em combinação com uma alimentação saudável, é a forma mais eficiente de controle de peso que existe. É também uma parte fundamental de um estilo de vida saudável. Uma alimentação saudável desde a primeira infância ajuda a criança a olhar para a comida de forma equilibrada e necessária para o crescimento, desenvolvimento e fonte energética.

A melhor forma de começar é aprender mais acerca das necessidades nutricionais da criança através da leitura de livros ou falando com um profissional de saúde, e dar-lhe depois opções saudáveis de alimentação, dando-lhe a possibilidade de escolher o que comer.As crianças nunca devem ser colocadas em dietas rígidas para perderem peso, a não ser por razões médicas. Limitar o que as crianças comem pode ser extremamente prejudicial para a saúde e pode interferir no crescimento e desenvolvimento.

Para promover um crescimento sustentado e prevenir a obesidade, os pais devem ter cuidados nutricionais e fornecer uma variedade de alimentos de todos os grupos alimentares, com respeito à pirâmide alimentar.Tente fazer das refeições atividades divertidas e saudáveis, com conversas e partilha, e não um tempo em que se discute ou se está de mau humor. Se as refeições forem períodos desagradáveis, as crianças irão comer depressa para se levantarem da mesa e podem associar a alimentação com o stress.

Faça as refeições ou lanches apenas nas áreas designadas da sua casa, como a sala de refeições ou a cozinha. Comer enquanto assiste televisão pode interferir na capacidade que as crianças têm de saber quando estão satisfeitas e conduzir ao excesso de ingestão de alimentos. Utilizar a comida como punição pode ter efeitos negativos. Por exemplo, castigar uma criança sem jantar faz com que ela se preocupe com o apetite que vão ter mais tarde. Como resultado, as crianças irão comer sempre que tiverem oportunidade. A utilização de doces como recompensa também é uma prática errada, visto que as crianças podem ter a sensação que estes alimentos são mais “valiosos” que os restantes. Por exemplo, dizer ao seu filho que pode comer a sobremesa se comer toda a verdura traduz uma mensagem errada sobre os vegetais.

A pirâmide alimentar ilustra a importância de uma alimentação equilibrada entre os grupos de alimentos em padrões diários.

Luciana de Jesus Freire Ferreira é nutricionista formada pela Universidade São Judas Tadeu e atualmente oferece orientação nutricional no Espaço Vida Padre Eustáquio, em Poá-SP