Tag Archive: Fundação Casa


O jovem Breno (nome fictício), que cumpriu medida socioeducativa no centro Itaquá II, da Fundação Casa, é o mais novo aluno no curso de Técnico em Radiologia do Senac Campinas. Devido às boas notas no ensino médio e dedicação nas outras atividades, a equipe psicossocial do centro socioeducativo conseguiu bolsa de estudo integral na escola para ele. Por conta disso, foi liberado pelo Judiciário de Itaquaquecetuba.

A liberação de Breno aconteceu no último dia 15. O jovem é originário da cidade de Mogi Mirim. Por isso vai estudar no Senac de Campinas. “Estou realizando um sonho. Quando eu era mais novo tive vários obstáculos que me impediram de ir para escola”, conta o aluno. “Foram vários imprevistos, mas acredito que as pessoas devem sempre buscar uma melhora e que nunca é tarde para voltar a estudar”.

Para Marcos Dalmar, diretor da unidade Itaquá II, o fator preponderante para que o jovem conseguisse a liberação do Judiciário e a bolsa de estudo foi a dedicação de todos os profissionais que atuam no centro. “A equipe de Itaquá II manteve contato constante com o Senac. Quando surgiu a oportunidade, levamos ele para passar por um processo de entrevista, analise de histórico escolar e condição socioeconômica”, conta o diretor.

 

Início das aulas
As aulas iniciaram-se no mês de agosto, mas a liberação de Breno só saiu na segunda quinzena de setembro. Durante este período, o centro socioeducativo Itaquá II garantiu a ida do jovem ao Senac Campinas, para que ele frequentasse as aulas como os outros estudantes. “Procuramos garantir a frequência dele nas aulas, sempre acompanhado por uma equipe de profissionais do centro”, disse o diretor.

 

Destaque no futebol
Além da dedicação aos estudos, Breno também tinha uma outra paixão: o futebol. O jovem sempre se destacou nas práticas esportivas dentro da Fundação, bem mais a que tinha a bola ao alcance dos pés. Inclusive, chegou a ser campeão de um torneio interno de futsal pelo centro socioeducativo Itaquá II.

Pela afinidade que mostrou com a bola, no tempo que esteve internado na unidade, ele passou por um período de teste no Clube Atlético Juventus. Agora, como vai voltar para sua casa, Breno foi convidado pelos dirigentes do Internacional de Limeira a passar por um período de testes no clube, com direito a hospedagem no alojamento.

Da assessoria da Fundação Casa


Desde o dia 7 de maio em estado de greve, funcionários da Fundação Casa farão uma assembleia no próximo sábado para definir a paralisação dos serviços. De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores em Entidades de Assistência e Educação à Criança, ao Adolescente e a Família do Estado de São Paulo (Sitraemfa), a fundação não apresentou nenhuma resposta ou contraproposta aos trabalhadores. Unidades da região serão afetadas, caso haja a greve.

Os funcionários têm 55 reivindicações. Destacam-se 20% de reajuste salarial, segurança no local de trabalho, contratação de servidores e igualdade salarial em todo o Estado. O presidente da Sitraemfa, Julio Alves, falou das decisões que o sindicado já tem definidas. “Caso até sexta-feira não haja um contato, proposta ou negociação, a decisão de parar está tomada. Na assembleia de sábado vamos discutir como faremos as paralisações. Os funcionários estão aderindo à greve, isso pode gerar uma parada de até 60%. Está definido que, se realmente houver a parada, ela começa no dia 1º de junho”.

Como alguns serviços não podem parar totalmente, a assembleia vai servir para organizar a greve. “Os agentes socioeducacionais que tratam direto com os menores não podem ter um número alto de paralisação. A parte operacional é que terá mais trabalhadores parando os serviços”, afirmou o presidente.

A Fundação Casa, em nota, informou que está fechando com o governo do Estado de São Paulo uma proposta técnica para apresentar ao sindicato e tentar chegar a um acordo a fim de evitar a paralisação dos funcionários.

As cinco unidades da região, que estão instaladas em Arujá, Ferraz de Vasconcelos e Itaquaquecetuba, também participarão da paralisação, caso ela seja iniciada.

Publicado por: Diário de Suzano
Em: 26/05/2011


O quadro de trabalhadores das unidades da Fundação Centro de Atendimento Socioeducativo ao Adolescente (Casa) do Alto Tietê está abaixo do ideal. A instituição tem déficit de 17,5% no número de funcionários das cinco unidades da região, segundo aponta o Sindicato dos Trabalhadores em Entidades de Assistência e Educação à Criança, ao Adolescente e a Família do Estado de São Paulo (Sintraemfa), que representa a categoria. O Governo do Estado não confirma os dados. A contratação de servidores faz parte das 55 reivindicações do Sindicato, que decretou no último sábado estado de greve.

Segundo o presidente do Sintraemfa, Julio Alves, faltam pessoas para preencher o conjunto de servidores das unidades do Alto Tietê. “O quadro de servidores está defasado”, afirma o presidente. São cinco unidades da Fundação Casa na região. Só em Ferraz de Vasconcelos e Itaquaquecetuba existem duas em cada cidade, enquanto em Arujá há uma unidade. “As duas unidades de ferrazenses precisavam ter 92 servidores atuantes, mas a realidade é outra com 74 trabalhadores, revela o sindicato. Nas unidades de Itaquá o ideal seria 84 e não 76 profissionais. Na única unidade de Arujá, existem 30 servidores atuando, mas o certo seria42”, detalha Alves. (Confira quadro nesta página)

O indicado então seria 218 servidores para atuar nas cinco unidades, mas a realidade é outra com 180 profissionais, ou seja, um déficit de 17,5% no quadro de trabalhadores. Embora haja informações divulgadas pelo Sintraemfa sobre o número de funcionários ideal e os atuantes, a Fundação Casa não confirma os dados. “Por motivo de segurança, não informamos números de funcionários que trabalham nas unidades da instituição”, esclarece, em nota, a fundação.

Estado
Ainda segundo o presidente do Sitraemfa, a defasagem atinge 35% do quadro de funcionários de todas as unidades do Estado.

Publicado por: Diário de Suzano
Em: 10/05/2011

Após quatro dias apreendidos em uma cela da Delegacia de Itaquaquecetuba, três adolescentes de Poá foram transferidos apenas ontem para unidades da Fundação Centro de Atendimento Socieducativo ao Adolescente (Casa), antiga Febem. A demora no procedimento revoltou familiares.

O trio é acusado de violentar sexualmente um menino de nove anos, de Poá, em novembro do ano passado, Na quinta-feira, a Justiça determinou o recolhimento dos adolescentes até o dia 12 de abril, quando será realizado o julgamento do caso. Na própria quinta-feira, eles foram encaminhados ao distrito policial. Já no dia seguinte, a Fundação Casa disponibilizou vagas para os menores. Mesmo assim, eles passaram o fim de semana todo no distrito policial.

“Eles deixaram o meu filho em um buraco. Isso não é jeito de reeducar uma criança”, criticou C.C., mãe de um dos adolescentes. Os parentes reclamaram também da falta de informações sobre o paradeiro dos acusados. “Eles colocaram meu filho em um camburão e não tivemos mais notícias. Não conseguíamos saber onde ele estava detido”, contou a mãe do jovem.

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil de Mogi, Marco Antonio Pinto Soares Junior, classificou a permanência dos adolescentes na delegacia como absurda. Esse tipo de detenção para menores, segundo explicou ele, só pode ser utilizada em casos excepcionais e por um curto período de tempo. “Eles não devem permanecer em uma delegacia de modo algum, especialmente, quando já foram disponibilizadas vagas na Fundação Casa”, frisou.

Segundo informações obtidas junto à Delegacia de Itaquá, os adolescentes ficaram em uma cela especial para menores separados de outros presos.

Os adolescentes têm 13, 14 e 15 anos, e moram no Bairro Calmon Viana, em Poá. Pedido de liberdade provisória solicitado pelo advogado de um dos jovens foi negado pela Justiça ontem.

Dois dos acusados foram encaminhados para a unidade da Fundação Casa de Ferraz de Vasconcelos. O outro menino foi transferido para a entidade localizada no Brás, na Capital.

Publicado por: O Diário de Mogi
Em: 29/03/2011
Por: Karina Matias

Gabriel* aos 16, entrou no crime

Gabriel (nome fictício), de 17 anos, começou a traficar drogas na região aos 16, depois de perder o emprego. Sem conhecer os pais biológicos, ele morava em um abrigo. Nessa época, já conhecia “amigos” que traficavam na escola. Quando decidiu vender entorpecentes, foi morar sozinho em Itaquaquecetuba. Sem família, esta era a única perspectiva de vida: “Me falta limite. Não queria nada com nada”.

Já usou maconha, mas não era um viciado. Isso atrapalharia os negócios. Vendia para uma lista fixa de clientes. Às vezes, acontecia de ter que fugir da polícia. “Só pensava em fugir, desaparecer para não ser preso. Até que um dia não teve jeito”. Quando chegou a Fundação Casa de Arujá, a vontade de querer mudar o futuro de sua vida foi estimulada. “Aqui comecei a pensar em construir minha família, estudar, conseguir um emprego e cuidar do meu filho. Não quero voltar a traficar. Já estou chegando à maioridade e sei que a vida no crime fica cada vez mais difícil”.

É um aluno aplicado, um jovem inteligente. É um dos poucos internos que fazem curso técnico fora da unidade. Pelo menos duas vezes por semana, um agente da fundação o acompanha até o Senai, onde cursa elétrica. Dentro da unidade, ele ajuda outros jovens que têm dificuldades no aprendizado. Bem articulado, ele conta que gosta de estudar. “Fiz administração de empresa, gosto de estudar. Não é só porque já fui traficante que não vou saber falar e nem ter conhecimento”.

Questionado sobre o que fez escolher o caminho do crime, ele conclui: “Como eu morava sozinho, nunca tive uma família, eu não estava nem aí para nada. Eu escolhi isso porque era o mais fácil. Agora que tenho um filho, quero dar a ele tudo do bom e do melhor, tudo o que eu não tive. Não vou contar meu passado para ele, só se ele me perguntar. Mas vou ensiná-lo o que é ruim, porque não quero que ele passe pelo que eu passei”.

Publicado por: Diário do Alto Tietê
Em: 27/03/2011
Por: Jamile Santana

Um levantamento realizado pela Fundação Casa (antiga Febem) com exclusividade para o DAT mostrou que o tráfico de drogas é o ato infracional que mais leva os adolescentes à instituição. As cidades do Alto Tietê estão na rota do tráfico, o que serve de escola do crime para vários jovens da região. Em seguida, vem o roubo qualificado, delito em que se emprega o uso da violência ou ameaça para intimidar as vítimas, índice preocupante porque mostra que, cada vez mais cedo, os adolescentes estão se especializando no crime.

No Alto Tietê, 38,8% dos jovens entre 12 e 18 anos foram detidos em 2010 por tráfico de drogas, número muito superior à média registrada na Capital, de 13%. A região também é responsável pela elevação do índice geral da Grande São Paulo, que chega a 38,2% do total de detenções. Já com relação ao roubo qualificado, quando há emprego de arma de fogo, violência ou ameaça e é realizado por duas ou mais pessoas, o número também é assustador: 38,6% dos casos. O ranking ainda considera as apreensões motivadas por roubos simples, furtos, porte de arma de fogo, latrocínio, homicídio doloso, entre outros.

Segundo o diretor da Fundação Casa de Arujá, Dorival Cardoso de Lima, o Alto Tietê está na rota do tráfico. “Pelos nossos levantamentos, a droga vem de Guarulhos, passa por Arujá, vem descendo pelas cidades da região e segue até o Rio de Janeiro, e vice-versa. A região está na rota do tráfico e pela falta de políticas públicas, nossos jovens são alvos fáceis do tráfico”, afirmou.

O segundo crime que mais deteve jovens em 2010 foi o roubo qualificado. De acordo com o levantamento da Fundação Casa, 38,6% dos jovens se envolveram em assaltos, na maioria das vezes, violentos. Mas o que leva adolescentes a praticar esses crimes? Para o psicólogo Dorival a vulnerabilidade social é, sem dúvida, um dos motivadores deste índice. “Os nossos adolescentes não são os maiores problemas, eles estão na ponta do iceberg. Os jovens são facilmente aliciados pelo tráfico porque faltam essas políticas públicas, oportunidade de trabalho. Também temos a questão familiar, que também deixa muito a desejar. Falta instrução básica, esses jovens não tem limites. Alguns não têm pai, ou são desconhecidos, e a família é totalmente desestruturada. Como lá fora eles também não têm os seus direitos garantidos, faltam oportunidades para eles, os jovens terminam sendo presas fáceis para o tráfico”.

O ranking mostra ainda outros tipos de delito, como roubo simples (5,8%), furto (2,8%), furto qualificado (1,5%), roubo tentado (1,5%), porte de arma de fogo (1,0%), entre outros.

Publicado por: Diário do Alto Tietê
Em: 27/03/2011
Por: Jamile Santana

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