Gabriel* aos 16, entrou no crime

Gabriel (nome fictício), de 17 anos, começou a traficar drogas na região aos 16, depois de perder o emprego. Sem conhecer os pais biológicos, ele morava em um abrigo. Nessa época, já conhecia “amigos” que traficavam na escola. Quando decidiu vender entorpecentes, foi morar sozinho em Itaquaquecetuba. Sem família, esta era a única perspectiva de vida: “Me falta limite. Não queria nada com nada”.

Já usou maconha, mas não era um viciado. Isso atrapalharia os negócios. Vendia para uma lista fixa de clientes. Às vezes, acontecia de ter que fugir da polícia. “Só pensava em fugir, desaparecer para não ser preso. Até que um dia não teve jeito”. Quando chegou a Fundação Casa de Arujá, a vontade de querer mudar o futuro de sua vida foi estimulada. “Aqui comecei a pensar em construir minha família, estudar, conseguir um emprego e cuidar do meu filho. Não quero voltar a traficar. Já estou chegando à maioridade e sei que a vida no crime fica cada vez mais difícil”.

É um aluno aplicado, um jovem inteligente. É um dos poucos internos que fazem curso técnico fora da unidade. Pelo menos duas vezes por semana, um agente da fundação o acompanha até o Senai, onde cursa elétrica. Dentro da unidade, ele ajuda outros jovens que têm dificuldades no aprendizado. Bem articulado, ele conta que gosta de estudar. “Fiz administração de empresa, gosto de estudar. Não é só porque já fui traficante que não vou saber falar e nem ter conhecimento”.

Questionado sobre o que fez escolher o caminho do crime, ele conclui: “Como eu morava sozinho, nunca tive uma família, eu não estava nem aí para nada. Eu escolhi isso porque era o mais fácil. Agora que tenho um filho, quero dar a ele tudo do bom e do melhor, tudo o que eu não tive. Não vou contar meu passado para ele, só se ele me perguntar. Mas vou ensiná-lo o que é ruim, porque não quero que ele passe pelo que eu passei”.

Publicado por: Diário do Alto Tietê
Em: 27/03/2011
Por: Jamile Santana