Depois de Mogi das Cruzes, agora é a vez da Santa Casa de Misericórdia de Suzano enfrentar problemas na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal. Em menos de 24 horas, quatro recém-nascidos que estavam internados no setor vieram a óbito. As mortes ocorreram entre 18 horas do último sábado e 7 horas do domingo. A direção afasta a possibilidade de infecção hospitalar, mas num único final de semana o hospital registrou um número de mortes que equivale ao dobro da média mensal, que é de dois óbitos. A morte dos bebês, no entanto, está sendo classificada como um evento “Sentinela”, termo atribuído para situações atípicas.

Não foram divulgados dados das crianças que vieram a óbito, mas normalmente os bebês encaminhados para uma UTI Neonatal são prematuros, apresentam baixo peso e uma saúde frágil, o que faz com que o índice de mortalidade nessas unidades seja muito acima do que em outros setores infantis. Ainda assim, é totalmente incomum o acréscimo abrupto no número de mortes como o que a Santa Casa registrou no final de semana.

E embora os dados preliminares, segundo a direção da Santa Casa, afastem a possibilidade de infecção hospitalar, somente amanhã a Comissão de Óbito Infantil do hospital, assim como a equipe de Serviço de Controle de Infecção Hospitalar (SCHI), deverá apresentar o relatório final da investigação das mortes dos recém-nascidos, com o esclarecimento dos motivos que provocaram os óbitos.

A própria direção da Santa Casa, apesar das análises iniciais afastarem a possibilidade de infecção hospitalar, determinou a intensificação de todas as medidas de prevenção dentro da UTI Neonatal, que conta com cinco leitos e que continua funcionando normalmente. “A Santa Casa mantém monitoramento diário sobre as condições de assistência na UTI-Neonatal”, informa nota oficial encaminhada a O Diário.

No comunicado, a direção da Santa Casa informa ainda que na manhã do último domingo, logo após a morte do quarto bebê num intervalo de apenas 13 horas, as equipes de Controle de Infecção Hospitalar e da Comissão de Óbito Infantil foram imediatamente convocadas e orientadas para atuarem com urgência no diagnóstico da causa mortis das crianças recém-nascidas, a fim de balizar as ações que serão adotadas.

Ontem, a direção da Santa Casa também encaminhou, para a Secretaria Municipal de Saúde e para a Vigilância Sanitária Municipal, informações iniciais sobre o “evento adverso”, sendo que uma equipe da Pasta está acompanhando a evolução dos fatos na UTI Neonatal, que está em funcionamento desde fevereiro do ano passado, mas só agora, recentemente, foi credenciada pelo Ministério de Saúde para receber verbas do Sistema Único de Saúde (SUS).

Pelo que foi apurado, o caso ainda não chegou ao conhecimento da Secretaria de Estado de Saúde, até porque Suzano tem municipalização plena e a competência para fiscalização da UTI Neonatal da Santa Casa local compete ao serviço de Vigilância Sanitária da Prefeitura, diferentemente do que acontece em Mogi das Cruzes, onde coube aos técnicos estaduais investigar os problemas no berçário da unidade de saúde mogiana e até interditar o setor.

Por meio da Secretaria de Comunicação, a secretária de Saúde de Suzano, Célia Bortoletto, adiantou que todas as fiscalizações na UTI Neonatal estão em dia e que, a princípio, não há suspeita de infecção hospitalar, o que afasta a necessidade de intervenções na unidade da Santa Casa, que está funcionando sob intervenção da Prefeitura local.

Publicado por: O Diário de Mogi
Em: 19/05/2011
Por: Mara Flôres